Indicação de livro · setembro

As vacas não me olham mais na cara

Infância, linguagem e amadurecimento feminino em uma prosa poética delicada e lúcida.

Capa do livro As vacas não me olham mais na cara, de Dora Freind

Em As vacas não me olham mais na cara, romance de estreia de Dora Freind, conhecemos uma menina que observa o mundo com uma lucidez precoce e aprende a nomear a dor quando ainda não dispõe de palavras para isso.

Em uma pequena cidade rural marcada pela pobreza e pelo isolamento, a narradora cresce entre a tensão familiar, atravessada pelo silêncio da mãe — misteriosamente emudecida após o parto —, e as vacas de seu quintal, suas únicas companheiras.

À medida que novos vizinhos ocupam e desocupam a casa ao lado, a menina sem nome se “gentifica”, acumula palavras em vez de mugidos e vai deixando de ser bicho ao mesmo tempo que se depara com as descobertas da infância, as violências e as fissuras do mundo adulto.

Com rara precisão formal, Freind constrói uma história que contrasta, a todo momento, ingenuidade e lucidez, violência e delicadeza.

Em uma espécie de prosa poética marcada por uma dicção infantil enternecedora, o livro constrói tanto um romance de formação quanto uma investigação sobre identidade, linguagem e amadurecimento feminino, transformando a infância em território de consciência.

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